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Professor do século 21 (Artigo)




Cleide Medrado ao Amaral
Pós-graduada em Formação Sócioeconômica do Brasil, professora de geografia e diretora de uma escola pública do DF
Com a rapidez das mudanças nos dias de hoje é preciso descobrir como lidar com o acúmulo de conhecimento. O contexto midiatizado do século 21 impõe desafios aos educadores e é preciso estar atento para estender e reinventar a prática educativa, compreendendo o cruzamento e a aproximação de três vetores: tempo, espaço e velocidade.
O educador deve ser flexível e se adaptar às novas regras para garantir uma boa formação dos seus alunos. Neste contexto, enxergar a educação como um processo de desenvolvimento do ser humano e lembrar constantemente que ela não é estática porque acompanha a evolução do mundo é fundamental. Paulo Freire dizia que "ensinar não é transmitir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção".
Acredito que o professor do século 21 deve funcionar como um facilitador no acesso às informações. Deve funcionar como um bom amigo que auxilia a criança ou jovem a conhecer o mundo e seus problemas, seus fatos, suas injustiças e suas solidariedades, de forma que o aluno possa caminhar com liberdade de expressão e, consequentemente, de ação. Em contrapartida, o aluno deve respeitar o espaço escolar e valorizar o professor, sabendo aproveitar a magia do momento, o encantamento do aprender-ensinar-aprender.
Quando estudei, há algum tempo atrás, a idéia de educar era a de transmitir conhecimentos, mas hoje cabe a cada educador se tornar um profissional melhor, buscando a reciclagem ou seu aprimoramento, através de cursos, palestras, seminários, os quais têm sido amplamente oferecidos pela Secretaria de Educação. Mas, infelizmente o que se ouve na maioria das escolas são professores cansados e desestimulados. Diante disso, muitos destes encontros são cancelados por falta de público.
Se o educador está cansado, o que irá transmitir ao seu aluno? Este por sua vez, vê na figura do educador uma tábua de salvação para o seu crescimento moral e intelectual, mas quando se depara com esta situação, só lhe resta o naufrágio.
Lembro-me da primeira vez que entrei em sala de aula como educadora. Foi no ano de 1986. Sentia muita ansiedade e um pouco de receio do que estaria por vir. Perguntas do tipo: "Será que os alunos vão gostar de mim" ou "Se eu não souber responder algo que me perguntarem?" aumentavam ainda mais a ansiedade. E logo nesse primeiro dia de aula, aos 26 anos e cheia de sonhos, me deparei com uma turma de alunos defasados da 6ª série do Ensino Fundamental em Ceilândia. O desinteresse era grande por parte dos mesmos. Foi um choque. Mas não me deixei abater. Respirei fundo, agi com firmeza e dei meu recado. Naquele momento aprendi que não devemos bater de frente com o adolescente e sim procurar interagir com eles, através do diálogo sincero. Eles não gostam da repressão, nem da liberdade sem limites.
Com o passar dos anos (são mais de 20 anos de Fundação Educacional) muita coisa mudou. Vejo que é necessário ter sensibilidade para entender que os alunos precisam muito do educador e seus anseios e expectativas são enormes em relação ao mesmo. Quanto à ansiedade do primeiro dia de aula, ela ainda existe e o coração acaba batendo muito mais forte. O importante é levar em consideração que a primeira impressão que o professor deixa aos alunos é que vai nortear todo seu trabalho durante o ano.
Tenham um bom ano letivo.
Fonte: Correio Braziliense, 23/1/2009

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