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EDUCAÇÃO E A CRISE.

A crise financeira e a educação, por Luiz Carlos Paixão
“Triste fim do neoliberalismo. Ninguém para comemorar ou chorar” Faço minhas as instigantes palavras do professor Romeu Gomes de Miranda, atual presidente do Conselho Estadual de Educação do Paraná. Estas retratam bem o momento em que o mundo vive. Estamos imersos a mais uma das grandes crises cíclicas do capitalismo mundial. Esta, causada em muito pelas políticas neoliberais aplicadas na maior parte dos países do mundo sobre a orientação dos grandes grupos econômicos e dos organismos financeiros internacionais. Ironicamente, em meio a tão propalada crise, os árduos defensores do neoliberalismo no passado, (inclui-se aí a grande mídia) são os mesmos a agora criticá-lo e a apontar novas saídas para a organização da economia mundial. Saídas que têm como objetivo reorganizar o modo de produção capitalista. Sem sombra de dúvidas, estas não vão ao encontro dos anseios do movimento organizado dos trabalhadores do mundo. Este, em boa parte, sabe que a reorganização capitalista representará mais injustiça e pobreza do mundo. Parece contraditório. Mas, quanto mais o sistema capitalista se desenvolve, mais aumenta a concentração da riqueza produzida por muitos nas mãos de poucos. E, na mesma proporção, alastra-se a miséria pelo planeta. Quanto mais avança, mais coloca o planeta em risco.Educação - Para nós da educação, o fracasso do neoliberalismo tem um sabor muito especial. Isto mereceria uma comemoração em cada escola do Paraná. Infelizmente a correria e as responsabilidades do dia a dia nos amortecem, e muitas vezes nos desorganizam. Durante os anos 90, nós, trabalhadores em educação do Paraná, fizemos uma luta sem trégua para combater o ideário e as proposições do neoliberalismo. A educação pública correu o sério risco de ser privatizada. Tentaram desregulamentar a carreira dos educadores, reduziram-se a oferta e a qualidade do ensino público. Os sindicatos e os movimentos sociais foram eleitos pelo estado como “personas non grata”. A resistência da APP-Sindicato e de outros movimentos organizados da sociedade foi fundamental para o enfraquecimento das proposições neoliberais no Paraná.Os capitalistas neoliberais de ontem defendiam com toda a convicção e empáfia a redução da intervenção do Estado na sociedade. O estado deveria ser mínimo. O mercado regularia a economia. Atividades do Estado são transferidas para a sanha do mundo do lucro capitalista. Saúde, educação, moradia, segurança de qualidade são para poucos. Poucos com dinheiro. O Estado Nacional é eleito como o grande vilão. Quebram-se todas as barreiras para a circulação livre e irrestrita do capital financeiro. Esta financeirização (deslocamento da economia real) é apontada agora como uma das principais causas da crise. Os defensores do Estado mínimo de outrora são os mesmos que, nesse momento, desesperados, suplicam a intervenção e o dinheiro do Estado para manterem os seus patrimônios. Precisamos ficar atentos. Estes querem agora um estado máximo para os interesses do capital e mínimo para as demandas sociais.Este é um momento delicado para a luta sindical. A cada dia somos surpreendidos com demissões de trabalhadores no mundo todo. Os governos nacionais, em desespero, tentam salvar o grande capital e os trabalhadores começam a pagar uma conta que não é sua. Basta ver o que está acontecendo com os companheiros e companheiras das montadoras de automóveis, um dos primeiros a serem afetados pela crise. Este é o momento de superação para o movimento sindical. Precisamos unificar todas as nossas forças, rompendo com as amarras do corporativismo das mais diversas categorias, para redefinir uma estratégia mundial de combate ao sistema capitalista, produtor de todos os tipos de desigualdade e da pobreza. Nosso desafio é caracterizar esta crise. Esta não é simplesmente uma crise financeira. É uma crise política e ideológica de um modo de organização social. Nós trabalhadores do mundo temos o desafio de construir uma alternativa ao modo capitalista de organizar a vida. Quando o muro de Berlin caiu no final dos anos 80, as idéias neoliberais, então adormecidas, ganharam hegemonia no mundo, graças à ação dos capitalistas. Temos que fazer a nossa parte. Não queremos mais do mesmo. A história nos propicia um momento ímpar para a construção de uma outra sociedade. Finalizo com as sábias palavras de um trabalhador captadas pelo professor José Lemos. Crise? Desde que nasci vivo a crise. Com dificuldades para morar, estudar e me alimentar. Esta crise do capital não é a nossa!•

Luiz Carlos Paixão da Rocha
Secretário de Imprensa e Divulgação da APP-Sindicato

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