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Alunos com nota baixa: a culpa é do Estado ou do professor?

A Secretaria de Educação de São Paulo divulgou esta semana uma pesquisa com professores da rede pública que mostra uma relação direta entre o número de docentes faltosos e o baixo desempenho dos alunos. De acordo com o estudo, “A cada ponto porcentual de aumento no índice de absenteísmo dos docentes da rede paulista, os estudantes da 4ª série do ensino fundamental perdem 7,5% na nota de língua portuguesa e 8,5% na de matemática. Esses números foram obtidos por meio do cruzamento de dados das faltas dos professores com as notas médias das escolas estaduais em 2007”.
É preciso atentar para uma questão que a pesquisa parece encobrir: por que tantos professores pedem licença das salas? Quem lê a notícia “Aluno de professor que falta tem nota mais baixa” esquece das agruras e até riscos aos quais muitos profissionais da educação são obrigados a se submeter.
Não é difícil de compreender o que leva um professor a se afastar provisoriamente das salas de aula. O profissional não precisaria pedir licença caso ele não ficasse abalado com a agressão verbal e, por vezes, física com a qual ele tem que conviver diariamente. A preocupação com as contas do mês talvez não fosse motivo de mal estar caso o salário pagasse o suor de um profissional que trabalha na sala de aula e no preparo delas, em casa; o estresse passaria longe de trabalhadores que pudessem atuar em um local com infra-estrutura adequada, segurança e condições ideais para o aprendizado dos alunos e o ofício de ensinar.
A exatidão numérica proposta pelo Estado tenta culpar somente os educadores pelo desempenho dos estudantes do ensino fundamental. Ele procura uma fonte de todos os males da educação pública e, ao deixar de relativizar os dados apresentados pela pesquisa, parece apontar para um “achado” do que seria a causa da precariedade do ensino. Mas a falta de recursos para a educação pública e a parca valorização profissional ainda são os grandes vilões do desenvolvimento do ensino no Brasil - até o Piso Salarial do Magistério Público da Educação Básica, aprovado por unanimidade pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente Lula em 2008, foi atacado pelo governador José Serra que, por opção, se nega a praticar uma verdadeira política de valorização do magistério de São Paulo.
Os educadores clamam incansavelmente por salários melhores, incentivos ao aprimoramento da sua formação profissional e pela garantia de condições dignas de trabalho. O fato é que o Estado se afastou da responsabilidade de cuidar da educação há muito tempo - sem apresentar qualquer atestado. Já passou da hora de voltar ao batente.

Fonte: Ascom CNTE

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