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As falhas do novo PNE 2011 - 2020

PNE nasce sem ''reflexão sobre prioridades'' e com ''falta de realismo'', diz Paulo Sertek em artigo


Ram Charan é considerado atualmente um dos mais influentes pensadores da arte de gestão, e faz imenso sucesso com o livro Execução: a disciplina para atingir resultados. Destaca que, independentemente do setor que se pretenda organizar, para atingir resultados é necessária a disciplina da execução. Por quê? Constatou que a maior parte dos planejamentos estratégicos das empresas públicas ou privadas padece do pecado de origem: por melhores que sejam os seus planos, eles naufragam, na grande maioria, por falta de capacidade de execução.
Em geral, o planejamento ou as diretrizes padecem do mal do abstracionismo. As ideias são boas, não obstante sofrem com a falta de adequação à realidade da implementação. Os planejamentos nascem com irrealismo, pois não se preveem os verdadeiros gargalos. Os dirigentes não se antecipam às dificuldades sobre como transformar as diretrizes gerais em planos rigorosos e sistemáticos de seguimento das metas.
Diz Charan que: “Muitos (dirigentes) não compreendem o que precisa ser feito para converter uma visão em tarefas específicas, pois seu pensamento de alto nível é muito amplo. Eles não levam as coisas adiante e não fazem acontecer; os detalhes os aborrecem. Eles não cristalizam o pensamento ou preveem os obstáculos. Não sabem como escolher as pessoas com habilidade para executar. Sua falta de envolvimento os priva de um julgamento consistente sobre as pessoas, o que só se adquire com a prática”.

Aplica-se o mesmo diagnóstico ao Plano Nacional de Educação, recém-aprovado para esta década, pois incorre, ao que nos parece, em dois pecados: o primeiro, o mais básico, porquanto nasce sem a reflexão sobre prioridades e, em segundo lugar, a sua falta de realismo compromete a execução, devido ao seu descolamento da realidade. Apenas para citar um exemplo, a meta 16 do referido plano consiste em: “Formar 50% dos professores da Educação básica (Educação infantil, fundamental e média) em nível de pós-graduação lato e stricto sensu, garantir a todos formação continuada em sua área de atuação”.

Ora, sabemos pelos dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) que mais de um terço dos professores, de toda a rede pública e privada do ensino fundamental e médio no Brasil, cujo total é de 1,9 milhão, não tem formação superior. São, portanto, aproximadamente 634 mil professores que, de acordo com os especialistas em qualidade de aprendizagem, necessitam da formação em nível de graduação superior de extrema qualidade.
Esses números, quantificados tal como fizemos, em apenas um dos itens do plano, analisados no detalhe, mostram que a situação é mais precária nas regiões Norte e Nordeste, em que, respectivamente, 75,2% e 71,5% dos professores lecionam sem uma graduação de nível superior. A capacidade de execução requer a segmentação dos problemas e atacá-los de forma inteligente. Será necessária a adequação realística de tempo e recursos priorizando a formação básica de professores e sua especialização. Ao se omitir em questão tão elementar, o plano orienta mal as ações posteriores.

A questão-chave está em definir o que é preciso fazer para eliminar esse rombo no casco do navio da Educação com tantas pessoas despreparadas para lidar com o bem mais valioso que é a formação de pessoas.

Vale a pena fazer a reflexão sobre as metas fixadas para esta nova década, tendo em conta os resultados da anterior, que transcorreu fundamentalmente durante os dois mandatos do presidente Lula. A primeira refere-se à promessa da erradicação do analfabetismo absoluto feita no seu primeiro mandato, e que nos oito anos não foi cumprida. Hoje amargamos 9,6% de analfabetos absolutos, quase 19 milhões de pessoas!

A segunda inconsistência é que em 2001, no plano de metas da década, era para se chegar à taxa líquida de 30% de jovens de 18 a 24 anos em cursos superiores. Atingiu-se 14,4%, o que requer saber como melhorar a capacidade de execução para a taxa do plano atual prevista em 33%.

Com esses dados podemos pensar um pouco sobre a melhoria de qualidade da nossa Educação. Não é possível dar um tratamento igual a cada região do país; no entanto, verifica-se que o Plano Nacional de Educação está marcado por dois vícios: um é o do abstracionismo, e outro, o irrealismo. Como todos nós estamos no mesmo barco, será necessário cobrar das autoridades do MEC o planejamento competente e a capacidade realística de sua execução.

* Paulo Sertek, doutor em Educação pela UFPR, é professor da FAE e autor dos livros: Responsabilidade Social e Competência Interpessoal; Empreendedorismo; e Administração e Planejamento Estratégico.

E-mail: paulo-sertek@uol.com.br
Fonte: Gazeta do Povo (PR)

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