sexta-feira, 20 de julho de 2012

Nota sobre a ruptura de quatro militantes do ex-C.A.C. com o PSTU do Maranhão


O processo de fusão do ex- CAC (Coletivo de Ação Comunista), ex-PSOL, com o PSTU do Maranhão durante o ano de 2011 foi marcado por um longo processo de debates no interior de nossa organização. Ficamos orgulhosos por isso, em ter militantes históricos da esquerda maranhense cerrando nossas fileiras, mas sobretudo pela forma como se deu a fusão, uma prova viva de que nosso Partido não é um simples aglomerado de lutadores, mas uma organização de revolucionários principistas e dedicados a construção do socialismo.
Todos os documentos referentes a forma de organização e funcionamento de nosso Partido foi  disponibilizada aos companheiros, debates calorosos foram travados, confusões foram desfeitas, diferenças dirimidas ou intensificadas, tudo no mais amplo processo de democracia interna(algo que os companheiros nunca tiveram quando militavam no PSOL), e ao final vários militantes definiram sua entrada no Partido. Passados nove meses, recebemos com pesar a carta de rompimento de 04 militantes.
Na verdade, tínhamos muita esperança de que os companheiros permaneceriam conosco e uma convicção: a de que queríamos continuar mantendo a honestidade em torno do debate  e militando juntos, assim como no movimento sindical, o que já vínhamos fazendo há tempos, de maneira muito honesta e camarada. No entanto, salta-nos os olhos a forma desqualificada e infantil com que os quatro companheiros romperam com nossa organização e a carta “borracha” que lançaram apagando todo o rico processo que passamos juntos, e que só serve aos interesses da direita.
O mais grave é que colocam em público questões que fazem parte da vida interna do nosso partido, expõe nossa organização ao veneno da burguesia oligárquica deste estado e deste país. Trata-se de um desrespeito irreparável para quem dizia está de acordo com a forma de organização do nosso partido.
Em seu texto afirmam que no PSTU “Após oito meses de coabitação, reivindicamos esse projeto revolucionário, mas não nos foi permitido”. Vale esclarecer que a direção do partido desde o início da fusão foi composta paritariamente por militantes antigos do PSTU e do ex-CAC, inclusive integrada por dois destes companheiros. Como não foi permitido, se poderiam participar ativamente de todos os encaminhamentos e debates? Debates estes dos quais se furtaram, pois nem quando da comunicação da decisão aceitaram ouvir, anunciaram, criticaram e se retiraram. Prova maior desta integração é que os outros membros do ex-CAC permanecem por entender que a construção do socialismo é a bandeira maior.
De fato é público e notório que a coligação majoritária do qual estamos participando no Pará, pois na proporcional a coligação é apenas com o PSOL, gerou polêmicas no interior de nossa organização em todo o território nacional e isso é só mais um motivo que reafirma a democracia interna existente em nosso partido, onde é permitida a discordância, mas a  nota explicativa da saída destes militantes, que, em sua maioria, muito pouco contribuíram ou participaram da vida cotidiana do Partido, optando sempre em manter-se na linha da crítica, como se ainda fossem externos ao Partido, está eivada, infelizmente, de algumas inverdades, pois a decisão de manter a coligação foi feita em amplo debate da direção nacional, a partir da decisão de Belém,  e em nenhum momento se cogitou que haveria desmoralização na revogação.
Outra falácia é a afirmação de que a coligação tem como objetivo primordial obter uma cadeira na Câmara Municipal, fato que foi clareado com a nota da direção nacional, podendo ser consultada no sitio do Partido, e nesta fica claro a diferença entre os Partidos e os objetivos, quais sejam, construir o partido e divulgar seu programa para o maior número de trabalhadores possível. Eleger ou não é fato secundário, apesar de entendermos importante ter um representante dos trabalhadores e comprometido com a lutas sociais no parlamento, até mesmo porque o PSTU já elegeu prefeito, vereadores, e se manteve revolucionário.
Mantemos nossa posição e reafirmamos que o PCdoB tem demonstrado ser inimigo da classe trabalhadora e dos oprimidos deste país. Exemplos, dentre outros e já citados pelos próprios companheiros, como a aprovação do Código Florestal que beneficia o agronegócio, a Lei da Copa e os recentes escândalos de corrupção no governo Dilma demonstram seu papel. Aqui no Maranhão manteremos o embate com este partido que já participou do governo Roseana Sarney e dirige o Sinproesemma, um dos principais exemplos de cooptação e burocratização sindical contra a própria categoria de professores.
Por fim, todos tem direito de escolher seus caminhos, mas não o de desrespeitar a história dos demais, e não se pode ser revolucionário, contribuir para o pensamento crítico e a luta de classes agindo desta forma. Espera-se que passado este momento de turbulência possam rever suas posições, pois conforme frase muito usada por um destes companheiros “ nas contradições é que se cresce”.

                                                                                                                             São Luís, 19 de julho de 2012
                                  
                                                                                              Direção Estadual do PSTU/MA

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