sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Acabaram com o ensino no Brasil e ninguém faz nada para mudar!

Acabaram sim com o ensino no Brasil. E não foi ao acaso ou fruto apenas de incompetência de nossos gestores públicos, foi proposital. Não há político que não saiba que um povo ignorante não reclama de receber Bolsa-Família ou qualquer outra forma de esmola político-populista, que acaba revertendo em votos. E tudo isto foi feito com o silêncio conivente da sociedade brasileira, que têm sido, ao longo de nossa história, irritantemente comodista e até corrupta, se vendendo por qualquer trocado.
Vejamos como era antigamente o ensino público. Para começar, os alunos faziam uma prova chamada “Admissão” para ingressar na escola pública. Cursavam o Primário, o Ginásio e depois teriam a opção ente o curso Científico (com ênfase em Matemática, Química, Física e Biologia) ou o Clássico (com ênfase em Latim, Francês, Espanhol, Inglês, História e Geografia). No decorrer do processo educacional, ainda aprendia-se Canto Orfeônico, Língua Portuguesa, Literatura, Filosofia, Educação Física e Artes. Os alunos, que se levantavam em respeito aos professores quando estes entravam em sala de aula trajando seus jalecos, precisavam se esforçar para tirar boas notas, já que havia repetência. Se houvesse indisciplina os pais eram chamados à escola, sem se sentirem “agredidos” por achar que iriam perder tempo com bobagens, como acontece hoje em dia. O ensino era respeitado de fato. Para quem não sabe, o ex-presidente Getúlio Vargas, por intermédio de seu ministro da Educação, Gustavo Capanema (que oi o ministro que mais tempo ficou no cargo em toda a história do Brasil, atuando por 11 anos à frente do ministério e implantou ampla reforma educacional ao país), acompanhava muito de perto o ensino, chegando a visitar escolas públicas. Dom Pedro II também costumava fazer o mesmo durante seu reinado, fundando até o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.
As reformas implantadas por Gustavo Capanema em 09 de abril de 1942, conhecidas como “Reforma Capanema” (oficialmente denominada Lei Orgânica do Ensino Secundário) permaneceram em vigor até 1961 com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e visavam modernizar o ensino no país, adequando nossos jovens estudantes às realidades do mundo de então.
Após 1961, flexibilizou-se de tal forma o ensino, que todos os tipos de absurdos passaram a ser possíveis e a importância do professor, no contexto político, diminuiu dia-a-dia. Hoje, ser professor é profissão que apenas jovens de famílias pobres optam, devido a todas as limitações financeiras que a profissão acarreta.
O fato é que hoje a sociedade não vê o professor com o respeito e até idolatria dos tempos de outra. Ninguém mais sonha e ter um filho ou uma filha professores. Sonha-se em ter filhos médicos, advogados, jogadores de futebol ou até “piriguetes”, mas professor não! A sociedade acostumou que o ensino seja de péssima qualidade, que o país não consiga ter profissionais de qualidade e que os professores sejam tratados como meros serviçais. Ninguém reclama que a maioria de nossos universitários recém formados seja, na prática, analfabetos funcionais! Do jeito que está, até para se formar novos professores fica difícil.
Quando afirmo que a sociedade ficou passiva enquanto a qualidade de nosso ensino era desmantelada não estou exagerando. Nunca vi a sociedade (descontando-se alunos e professores) sair às ruas em protesto pela baixa qualidade do ensino ou por não haver escolas públicas de qualidade em número suficiente para todos. Na verdade, a população não sai às ruas nem pelo ensino, nem pela saúde pública. Todos debatem sobre a escalação da seleção brasileira de futebol ou de seus times, mas ninguém conversa sobre como as escolas estão ruins. Quando por acaso estão diante de algum político, assumem uma posição submissa, chamando qualquer vereadorzinho de mer** de “sua excelência”. Só quem fala sobre educação são os professores, que, indignados, lutam sozinhos por esta causa nacional.
O modelo de ensino de hoje em dia é baseado em respostas de múltipla escolha, para que a correção seja mais rápida (como uma linha de produção), perdendo-se a condição de argumentação em detrimento da rapidez. Não é assim que se ensina. Ensinar é dar condição de pensar além do já estabelecido. Quem é adestrado só repete, não cria.
Hoje, a ignorância de nossos alunos virou motivo de piada, coisa que eu lamento profundamente. Circula pela internet frases absurdas supostamente escritas por alunos ao responder o ENEM de 2013, por exemplo. Algumas dessas frases até têm “boa intenção”, mas são discordantes com as mínimas normas do bem escrever. Vejam alguns exemplos:
“O sero mano tem uma missão.”
“O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas.”
“O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio.”
“A situação tende a piorar: o madeireiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região.”
“O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes.”
“É um problema de muita gravidez.”
“A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.”
“Já está muito de difíciu de achar os pandas na Amazônia.”"
“A natureza brasileira tem 500 anos e já esta quase acabando.”
“O cerumano no mesmo tempo que constrói, também destroi, pois nos temos que nos unir para realizarmos parcerias juntos.”
“Na verdade, nem todo desmatamento é tão ruim. Por exemplo, o do Aeds Egipte seria um bom beneficácio para o Brasil.”
“Menos desmatamentos, mais florestas arborizadas.”
“Isso tudo é devido ao raios ultra-violentos que recebemos todo dia.”
“Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dourado.”
“Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu, o verde representa as matas, e o amarelo o ouro. O ouro já foi roubado e as matas estão quase se indo. No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira.”
“São formados pelas bacias esferográficas.”
“Eu concordo em gênero e número igual.”
“Precisa-se começar uma reciclagem mental dos humanos, fazer uma verdadeira lavagem celebral em relação ao desmatamento, poluição e depredação de si próprio.”
“O serigueiro tira borracha das árvores, mas não nunca derrubam as seringas.”
Se estas frases acima foram realmente escritas pelos estudante que fizeram o ENEM de 2013 eu não tenho como confirmar, mas eu mesmo já testemunhei alguns absurdos da mesma proporção ditas até por universitários. Se estas frases tiverem sido realmente escritas pelos estudantes no ENEM devemos chorar, porque elas serão o alicerce de nossa sociedade para o futuro. Se forem apenas uma piada, devemos lamentar pela mente doentia de quem está brincando com coisa séria e não está nem aí para isto!
Nosso ensino só mudará quando todos nós exigirmos isto de fato. Não adianta reclamar e depois trocar o voto por um churrasco ou um uniforme para o time de futebol oferecidos por algum político. Entendo que o primeiro passo seja não reelegermos nenhum deputado estadual, federal, senador, governador e presidente. Porque, estes que estão aí, tiveram, no mínimo, um mandato para fazer alguma coisa e nada fizeram.

*Alessandro Lyra Braga é carioca, por engano. De formação é historiador e publicitário, radialista por acidente e jornalista por necessidade de informação. Vive vários dilemas religiosos, filosóficos e sociológicos. Ama o questionamento.

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